Vamp é adjetivo, é substantivo e advérbio. Significa ser antenado, ácido, pratico em encontrar respostas ou atitudes adequadas. Não tem nada a ver com essa onda de vampiros em saga.. C´mon! Já com aqueles vampiros clássicos, sensuais, inteligentes, atemporais... Quem sabe marcamos uma entrevista?
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sábado, 1 de novembro de 2014
Porcaria Exemplar
Certamente o problema sou eu. Eu que não tenho mais paciência pra isso!
Do ponto de vista tecnico e de roteiro, o filme é perfeito. Excelente! O drama vai se desvendando na medida certa; envolve o espectador; deixa você torcendo.
Mas, sinceramente, achei uma grande M....
O filme é a imagem perfeita do nosso tempo; como Vargas Llosa diria, nossa civilização do espetáculo. Por isso mesmo é péssimo! Tudo precisa de um show; de uma apresentação! Holofotes, câmeras, reality; o espectador é o grande juiz! E como tal, sentencia antes das autoridades! Autoridade de quem? Mas ele muda de opnião... Ah, se muda; atento vorazmente a cada fato, faz do show a sua própria vida. Projeta nos sujeitos seus dramas, afetos, desafetos, frustrações, anseios, esperanças, sua própria redenção.
Que inutilidade essa nossa sociedade. Em todos os continentes. Seja rico, seja pobre o velhinho da frivolidade sempre vem e nos presenteia. Não posso negar, entretanto, que os EUA é seu berço esplêndido. Não entrarei em méritos nem julgamentos (neste ponto). As Kardashians (se escrevi errado, ponto pra mim, que nunca as vi) são, na minha opnião, o mesmo que se nós no Brasil cultuássemos Joelma da banda Calipso (antes das declarações de homofobia) ou Carla Perez. Talvez estas duas tivessem mais a acrescentar pelas histórias de ascensão social.
Viva ao circo meu bem, porque o pão só se for sem glúten e lactose free. Afinal as musas da nossa sociedade nunca são gordas!
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
In case of Emotion sicknes..
Viajar... Não tem outra coisa que me defina melhor. Viajar é mudar! De lugar, de perspectiva, de lado, de opinião, de ideia.. Viajar é sonhar! É voltar à infância, é amadurecer, é crescer, é acreditar.. Viajar é se desapontar! É errar, é se expor, é se cansar, é se permitir. Viajar, sobretudo, é VIVER!
Não é só um dos meus temas favoritos; o meu hobby ou minha paixão, é parte de mim, da minha essência. No sentido mais amplo da palavra. Desde a concepção, passando pelo planejamento, até a realização. Não só a viagem física. A viagem interna! O turbilhão de sensações, as expectativas, as dúvidas, as escolhas.. A viajem, no sentido de estar sob efeito químico... E realmente estamos! Só com todas as endorfinas, resposta endócrino-metabólica etc que provoca na gente.. Isso sem precisar ingerir, inalar, injetar nada! Nada além de se utilizar de si mesmo.
Ainda bem que isso é tema de estudo de muita gente e há bastante tempo! Ou eu me sentiria um louco completo! Preciso registar minha paixão fulminante pelo livro "A arte de viajar- Alain de Botton".
Em pouco mais de 200 páginas ele conseguiu reunir idéias dele e de grandes pensadores sobre essa mais oura ARTE, a de viajar... É daquele livro que você quer que durma contigo! Não conheço melhor resumo sobre o tema.
Algumas passagens:
"O avião é um símbolo da amplitude do mundo, carregando em si indícios de todas as terras pelas quais passou; sua eterna mobilidade oferece um contrapeso imaginário aos sentimentos de estagnação e confinamento."
"As viagens são parteiras de pensamentos. Poucos lugares são mais propícios a conversas internas do que um avião, um navio ou um trem em movimento. Existe uma relação quase fantástica entre o que está diante dos nossos olhos e os pensamentos que podemos ter: reflexões amplas podem requerer paisagens vastas; novas idéias, novos lugares. Reflexões introspectivas suscetíveis a empacar são auxiliadas pelo fluxo da paisagem."
"Podemos valorizar elementos estrangeiros não só porque sejam novos, mas por parecerem mais fielmente ajustados à nossa identidade e às nossas preferências do que qualquer outra coisa que nosso país pudesse oferecer."
E por aí vai... Já aviso: se quiser ler compre o seu, porque o meu não empresto!
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Eu, o sexo e as cidades
Hoje terminei (mais uma vez) de assistir a séria completa; Sex and the city. Como tenho muito menos tempo livre do que gostaria, demorei 1 ano... Desde janeiro iniciei esse projeto e, dentre tantos que faço para os anos vindouros, este eu completei.
Na verdade eu não apenas assisto... Como meu amigo Alexis observou, eu estudo Sex. Paro, penso, anoto as frases, reflito, aprendo inglês, repenso a vida, rio, choro, tenho revelações..
Cada vez mais fico certo que nunca existiu (pra mim ao menos) nem um "show" tão tocante, tão completo.
Começando pelo nome. Seu sexo e sua cidade, de fato, definem você! Calma aos apressados! A sua cidade não é onde você mora! Otherwise I'd be living rigth there in NYC with the girls. Circunstâncias, trabalho, amor, família, levam a gente pra onde precisamos estar, mas nossas cidades são aquelas onde nos sentimos nós mesmos... Rio, Paris, NYC, Roma, Recife...
Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte tão diferentes, tão próximas de nós! As angústias, amores, felicidades, são tão familiares que realmente nos tornamos "amigos". E nada mais justo ter amigas assim, neste mundo cheio de amigos imaginários, com quem vc conversa todo dia, curte as fotos, paquera, mas nunca tem a chance de refletir como com a coluna de Carrie no New York Star. Mais próximas mesmo do que muitas pessoas com as quais somos forçados a conviver diariamente.
Tenho certeza; se não fossem as meninas, eu não aguentaria viver na "minha cidade"!
O principal de Sex é a amizade e, neste quesito, sou abençoado por Deus! Realmente sou muito feliz por viver no meu mundo SATC...
Minhas tardes com Dani, comendo rocambole e rindo de Samantha. Minha primeira conversa séria com Alexis, na moradia no Inca. Minha revelação no PJ Clark com o Popr. Minha conversa de madrugada na calçada do Iguana Café com Fabíola. Meu Natal com Otto e Aninha. Meu Reveillon com Rachel, Adri e Chayanna. Meu café da manhã na padaria com Jey e Bill. Minha oração na enfermaria com A. Melo. Minhas fantásticas conversas com as 3 irmãs mais diferentes e complementares do mundo: Re, Lil e Poly. Todas as minhas tardes com Sula, Claudinha, Patrícia e Renata naquela enfermaria da Clínica Médica. Minha sopinha da tarde no vida com Sam. Minha viagem à Roma com Aninha...
Impossível escrever sobre todos os meus amores de amigos. Mas uma coisa é mais do que possível: me sentir em casa em qualquer lugar com vocês; porquê, afinal de contas, minha casa é onde meus amigos estão. Bruxelas, Boston, DC, Rio, Sp,Toronto, SSA ou Recife. Até mesmo Petrolina; por que não?
sábado, 19 de outubro de 2013
Histeria
Extremamente inteligente e sutil a abordagem sobre como se processa o conhecimento médico-científico. Um convite à reflexão! O que hoje é obvio já foi uma dúvida e fez muita gente "gastar" tempo matutando...
Hoje o passado nos parece uma piada e daqui a 100 anos vão rir de nós.. "Quanta inocência em 2013, ainda tratavam o melanoma apenas com essas drogas". "Eles discutiam se existia tal doença; hoje qualquer um fica curado com uma simples dose de vacina", por aí vai.
Dadas as devidas proporções isso acontece todo dia. Quantas vezes nos tornamos tão acorrentados à rotina e ficamos cegos para as possibilidades?
E pensar que "por trás" da história do vibrador havia tanta ciência...
domingo, 8 de setembro de 2013
A troca de pele - Almodovar
Sou fã de Almodovar desde criança mesmo. Muito antes de achar que compreendia seus filmes, o que hoje fica claro pra mim. Com 11 anos, não eram só as cenas de sexo/ nudez que me atraíam, mas o universo "Bapho" e Kitsch, por motivos óbvios, me fascinavam. Assisti todos muito novo, em VCR, DVD e, desde Carne trêmula, vi todos no cinema.
Tenho muita dificuldade em lidar com violência, com agressões exacerbadas e, justamente por isso, ano passado quando assisti A pele que habito, não gostei muito do filme, da sensação exacerbada de angústia durante suas 2h. A qualidade técnica impecável, os olhos vêem de cara. Assisti pela 2a. vez em DVD e continuei julgando o tema excessivamente maldoso, cruel de modo "desnecessário". Pensei: "mas gente, pra quê colocar uma maldade desse tamanho num filme? Por que ele foi tão cruel desta vez?"
Meu preconceito me vendou para a sacada mais genial e importante do filme; que só agora, um ano depois e 3 vezes assistido, pude perceber... A crueldade que TODOS nós, inclusive, eu, EU MESMO, que de certo modo também sofri/sofro com isso, fazemos com as pessoas transsexuais...
Até para um gay é difícil entender um trans, uma trava, a quantidade de consoantes da sigla GLSBTT... Sim, pra sociedade é muito difícil e para o trans, você já se colocou nesse lugar?
A agressão de forçar o garoto do filme a "virar"uma mulher é exatamente o que acontece com quem nasceu assim. E para quem grande parte de nós sequer tem sensibilidade de perceber; seja você gay, simpatizante, hétero, psicologo, médico, mulher..
Que crueldade é desde sempre se perceber mulher, preso num corpo de homem e ainda precisar lidar com o preconceito e violência de todos.
Obrigado Almodovar! Obrigado por nos mostrar essas coisas! Obrigado por nos fazer trocar de pele, como as cobras fazem, para seguir picando, como é da sua natureza!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Arte da Semana
É o desenho da artista Carrie Chau (mais no site: www.wunyincollection.com )
E lógico, o trabalho "parecido" de Frida Kahlo
Qual vcs preferem?
E lógico, o trabalho "parecido" de Frida Kahlo
Qual vcs preferem?
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Boa ação sexy para o Japão!
O Fotógrafo Jeremy Kost resolveu ajudar o Japão de uma forma bem particular e sexy.
Doou seu talento como fotógrafo e criou 100 exclusivos exemplares de fotos com o tema "Flowers for the Land of the Rising Sun" .
São estas 3 fotos aqui do post.
Custa 150 US$ + frete o pacote com as tres fotos assinadas e nnumeradas.
Você ajuda Japão e ainda coloca uma "hot art" em casa!
link para compra das fotos: http://www.jedroot.com/charity/charity-japan-society.php
terça-feira, 26 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Pense Nisso
"Dois mil e quinhentos fósforos compõem essa peça sobre o amor!
“Love on fire represents romance and passion or destructions and jealousy. It is raw and gritty”, diz o artista multimídia Pei-San.
Mais em > http://peisanng.com/"
fonte: http://donttouchmymoleskine.com/fogo-do-amor/
domingo, 10 de abril de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
DicaDiquinha - Black Swan
Você é responsável pelas suas vitórias. Conseguiu algo que sempre desejava? Comemorar? Nem sempre...
A cobrança pela perfeição, o politicamente correto, a angústia em continuar no topo. Tudo isso junto, misturado a um roteiro excelente, faz do Cisne Negro um filme excelente.
Capta sua atenção do início ao fim, você realmente vive o filme.
Inclusive lembrei da frase de uma colega da faculdade, que me chocou na época com sua declaração: "Eu queria mesmo era ser bailarina, mas balé é muito difícil, então fiz medicina."
Diga-se de passagem, ela é uma médica brilhante.... mas bem do estilo carinha de Odette alma de Odille!
A cobrança pela perfeição, o politicamente correto, a angústia em continuar no topo. Tudo isso junto, misturado a um roteiro excelente, faz do Cisne Negro um filme excelente.
Capta sua atenção do início ao fim, você realmente vive o filme.
Inclusive lembrei da frase de uma colega da faculdade, que me chocou na época com sua declaração: "Eu queria mesmo era ser bailarina, mas balé é muito difícil, então fiz medicina."
Diga-se de passagem, ela é uma médica brilhante.... mas bem do estilo carinha de Odette alma de Odille!
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
"A ciência a nova Nobreza"
Assisti ao filme "Eclipse de uma paixão" e estou lendo "Uma temporada no inferno", sobre a vida do francês Arthur Rimbaud.
O mais marcante pra mim é a angústia, compania constante do jovem francês.
Eu não posso dizer nada sobre ele, mas os estudiosos das letras dizem que foi um dos maiores poetas da história, apesar de ter escrito apenas até os 21 anos e morrido com 37.
Será que a inteligência e sensibilidade são um fardo? Seu sofrimento pessoal e escrita refletem sua descrença no homem, na sociedade, na vida?
Vejo as notícias hoje e, a despeito do progresso científico / tecnológico, acho que o mundo ainda é parecido com o de Rimbaud, de 1870.
Li o post da minha amiga no http://queilarte.blogspot.com/ e comecei a pensar neste assunto...
Inclusive, há um trecho muito interessante no livro...
" A ciência! Tudo foi retomado, para o corpo e para a alma; o viático - temos a medicina e a filosofia, os remédios das comadres e as canções populares musicadas. E as diversões dos príncipes e os jogos que proibiam! Geografia, cosmografia, mecânica, química!...
A ciência, a nova nobreza! O progresso. O mundo anda! Por que não giraria?
É a visão dos números. Vamos ao Espírito. É certíssimo, oracular, o que digo. Compreendo, e sem saber me explicar sem palavras pagãs, preferia calar."
O mais marcante pra mim é a angústia, compania constante do jovem francês.
Eu não posso dizer nada sobre ele, mas os estudiosos das letras dizem que foi um dos maiores poetas da história, apesar de ter escrito apenas até os 21 anos e morrido com 37.
Será que a inteligência e sensibilidade são um fardo? Seu sofrimento pessoal e escrita refletem sua descrença no homem, na sociedade, na vida?
Vejo as notícias hoje e, a despeito do progresso científico / tecnológico, acho que o mundo ainda é parecido com o de Rimbaud, de 1870.
Li o post da minha amiga no http://queilarte.blogspot.com/ e comecei a pensar neste assunto...
Inclusive, há um trecho muito interessante no livro...
" A ciência! Tudo foi retomado, para o corpo e para a alma; o viático - temos a medicina e a filosofia, os remédios das comadres e as canções populares musicadas. E as diversões dos príncipes e os jogos que proibiam! Geografia, cosmografia, mecânica, química!...
A ciência, a nova nobreza! O progresso. O mundo anda! Por que não giraria?
É a visão dos números. Vamos ao Espírito. É certíssimo, oracular, o que digo. Compreendo, e sem saber me explicar sem palavras pagãs, preferia calar."
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
DicaDiquinha - José e Pilar
Maravilhoso o filme sobre José Saramago e Pilar!
Me fez odiar e ao mesmo tempo amar Pilar, a mulher que matou,
mas ao mesmo tempo deu vida a José Saramago.
Quantas lições de vida em 2h!
Viver é difícil, a parte prática é que é o problema.
Mas sem lição não háo o que praticar!
Então que fique a dica!
Me fez odiar e ao mesmo tempo amar Pilar, a mulher que matou,
mas ao mesmo tempo deu vida a José Saramago.
Quantas lições de vida em 2h!
Viver é difícil, a parte prática é que é o problema.
Mas sem lição não háo o que praticar!
Então que fique a dica!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Barba fechada, olhos abertos - DicaDiquinha
Se vocês andam prestando atenção aos editoriais de moda ao redor do mundo, podem perceber que há algum tempo a barba vem se mantendo como tendência. Passou o inverno lá de cima, o verão, tá chegando o próximo inverno e os brabudos continuam na moda.
Fora do circuito Elizabeth Arden a barba também está na moda. Tem adaptações, claro, mas ainda é barba.
Podem prestar atenção que no Brasil as caras lisinhas ainda predominantes têm dividido espaço com as barbas.
Então, antes se barbear na próxima vez, para e pense se não seria a hora de adotar um novo visual trendy, raw e sexy!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
A metralhadora verborrágica de Camille Paglia - Jornal do Comercio(15.11.2010)
A metralhadora verborrágica de Camille Paglia Publicado no Jornal do Comercio em 15.11.2010
A filósofa americana não gosta de ser interrompida por perguntas. Prefere falar sem parar, gesticulando muito, com uma franqueza provocante, mesmo que lhe custe às vezes ficar numa posição solitária
Schneider Carpeggiani
Schneider Carpeggiani
“Nem pense em me filmar desse ângulo. Uma mulher da minha idade jamais seria favorecida por um ângulo desses”, esbravejou Camille Paglia para um cinegrafista de TV que teve a pouco estética ideia de filmá-la de baixo para cima, posição que, de fato, não ajuda ninguém – regra da natureza tão óbvia que qualquer não leitor de Freud, Shakespeare ou dos metafísicos pode recitar de cor. Foi bom ter esperado uma hora para entrevistar a professora do Philadelphia College of the Performing Arts, sábado pela manhã, no hotel Atlante Plaza, em que estava hospedada em Boa Viagem. O vazio típico de qualquer chá de cadeira pode se reverter num excelente exercício de observação, se você fizer um mínimo esforço de transcendência. E vê-la conversando com uma equipe televisiva foi um ótimo treino.
De cara, aprendemos que Camille não conversa, dá declarações. Consequentemente, ela sabe falar, mas é péssima ouvinte. Seu fluxo de pensamento non stop descarta qualquer roteiro do entrevistador sem cerimônias e sua notória metralhadora verborrágica é ainda mais veloz ao vivo. Sua origem italiana é ressaltada por um balé de mãos que pontua cada palavra dita de forma dramática. Cria da mídia, acalma o repórter que precisa regravar uma pergunta – “Estou acostumada, não se preocupe”.
Cinco minutos antes do início da nossa conversa, a lição do chá de cadeira se mostrou, de fato, bastante útil: deixar Camille falar e pronto! “Durante muitos anos, fui uma persona non gratta na academia. Meu livro de estreia, Personas sexuais, foi recusado por sete editoras. Os acadêmicos não queriam me escutar, as feministas diziam que eu era a favor da degradação da mulher, porque presto homenagem à pornografia de todas as formas. Eu me acostumei a ser uma voz solitária. Eu voto em Obama, mas critico os democratas. Não faço parte de turminhas ou frequento as rodas literárias”, começou Camille, fazendo uma espécie de cartão de visitas do seu pensamento.
Algumas horas depois veríamos Camille em ação naquele que parece ser o seu lugar favorito no mundo, o palco. Durante sua palestra na Fliporto, ela engoliu uma Márcia Tiburi que fazia cara de menininha perdida (como uma mediadora pode usar argumentos tão débeis quanto: “Eu sei que você gosta de Daniela Mercury, mas acho ela chata”?) e só faltou sambar na nossa frente ao falar de Lady Ga Ga, Madonna, do olhar gay, da matemática emocional do bar lésbico e das várias formas de poder feminino.
“Eu gosto do estilo de talk show, de ouvir as pessoas da classe trabalhadora falando. Eu gosto de ouvir os programas de rádio, para ouvir a voz do povo... Não fico encastelada numa comunidade de intelectuais que não tem contato com o mundo. Na verdade, esse é o problema do universo acadêmico dos Estados Unidos: pouco contato com a realidade”, confessou Camille Paglia, durante nossa entrevista.
A conversa durou por quase 30 minutos. Nesse tempo, só conseguimos interromper o fluxo de sua fala por duas vezes, para duas perguntas que ela só desenvolveu pela metade, afinal ELA e só ELA decide sobre o que vai falar. Apesar disso, a professora é simpática e segundo o repórter de TV que nos antecedeu na entrevista é até “fofa”. O pior é que achamos também! A conversa foi interrompida por seu agente, que tentava sofregamente fazê-la parar porque a hora do almoço urgia. “Acho que você tem um bom material aí do que eu falei para seu artigo”, despediu-se, ciente do (ótimo) arsenal provocativo que havia lançado em nossa direção. Acompanhe, então, um apanhado do nosso monólogo, ops, da nossa conversa.
» O mundo de Camille:
Sarah Palin – “Ela é um novo tipo de feminismo: uma feminista conservadora, que não tem medo dos homens, que não vê problemas em ter uma família”
Madonna – “Madonna está em declínio. Muito disso se deve à sua relação com a Cabala. A Cabala tem uma visão relax em relação à natureza e não tem o potencial visual e artístico do catolicismo. Um artista precisa de um senso de direção e Madonna perdeu isso, porque aceita as leis do universo. Ela pode até estar mais feliz agora, o que eu não acredito muito, porque ela continua uma workaholic”
Religião – “É estúpido achar que os ativistas gays vão mudar a cabeça do papa e que, do nada, ela vai dizer que é a favor do sexo gay ou da promiscuidade sexual. Deixem as religiões em paz, o problema é mudar as leis ”.
Catolicismo – “O catolicismo é ótimo para criar pornógrafos, foram os casos de Madonna e Robert Mapplethorpe”
Aborto – “A mulher tem o direito de fazer o que quiser com seu corpo, porque ele foi um presente da natureza, e eu levo a natureza muito a sério”
Direitos – “O Estado não pode se meter no direito privado do cidadão. Se alguém quiser usar drogas, por exemplo, deveria ter o direito de usar ”
Freud – “Leve a teoria de Freud para o Japão e ela não vai fazer qualquer sentido. Ele é o grande pensador do Ocidente”
Lady Ga Ga – “Lady Ga Ga tem um visual sofisticado, mas é rasa. Ela não tem a sofisticação das drag queens para envergar um vestido”
Gays – “Não é possível entender a homossexualidade apenas pela biologia. Há um sentido de drama em toda história gay que conheço”
Beleza – “Se um garoto bonito entra num bar gay, é ele quem passa a dar as cartas. Pode ter o homem mais rico do mundo ou a maior estrela de Hollywood, que eles perdem importância para o garoto bonito”.
Internet – “Eu me sinto menos solitária por causa da internet, mas tenho medo que ferramentas como Facebook e Twitter prejudiquem nosso senso de continuidade. Tudo é muito fragmentado. Será que essa geração que escreve no Twitter vai se interessar em ler um Thomas Mann?”
Religião – “É estúpido achar que os ativistas gays vão mudar a cabeça do papa e que, do nada, ela vai dizer que é a favor do sexo gay ou da promiscuidade sexual. Deixem as religiões em paz, o problema é mudar as leis ”.
Catolicismo – “O catolicismo é ótimo para criar pornógrafos, foram os casos de Madonna e Robert Mapplethorpe”
Aborto – “A mulher tem o direito de fazer o que quiser com seu corpo, porque ele foi um presente da natureza, e eu levo a natureza muito a sério”
Direitos – “O Estado não pode se meter no direito privado do cidadão. Se alguém quiser usar drogas, por exemplo, deveria ter o direito de usar ”
Freud – “Leve a teoria de Freud para o Japão e ela não vai fazer qualquer sentido. Ele é o grande pensador do Ocidente”
Lady Ga Ga – “Lady Ga Ga tem um visual sofisticado, mas é rasa. Ela não tem a sofisticação das drag queens para envergar um vestido”
Gays – “Não é possível entender a homossexualidade apenas pela biologia. Há um sentido de drama em toda história gay que conheço”
Beleza – “Se um garoto bonito entra num bar gay, é ele quem passa a dar as cartas. Pode ter o homem mais rico do mundo ou a maior estrela de Hollywood, que eles perdem importância para o garoto bonito”.
Internet – “Eu me sinto menos solitária por causa da internet, mas tenho medo que ferramentas como Facebook e Twitter prejudiquem nosso senso de continuidade. Tudo é muito fragmentado. Será que essa geração que escreve no Twitter vai se interessar em ler um Thomas Mann?”
Fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2010/11/15/not_400640.php
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