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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pense Nisso



"Dois mil e quinhentos fósforos compõem essa peça sobre o amor!


“Love on fire represents romance and passion or destructions and jealousy. It is raw and gritty”, diz o artista multimídia Pei-San.

Mais em > http://peisanng.com/"


fonte: http://donttouchmymoleskine.com/fogo-do-amor/

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"Composição do indeciso" de Samuel Strappa



"Gostaria de fechar o meu tempo em uma caixa.
E nela colocar músicas sortidas para compor esse indeciso.
Lacrar com fitas e depois mudar o assunto.
Tenho trabalhado tanto…
Parece que lá fora deixei o mundo das ideias.
Quando mal percebo, lá se foi o meu janeiro.
O primeiro que me puxou o fevereiro e seguiu carnaval.
Astral!
Olha que na verdade estou tão carnal.
Penso que me esqueci do verbo e agora me dilacero.
Para que me esforçar nesses versos de leitura crua?
Jura que depois você volta com o meu troco?
Tropeço neste contrato absurdo e paro com o sufoco rouco.
Sou pouco.
Vou encaixar mais essa parte na sinfonia das notas.
Para a caixa, quando aberta, revelar canções desconexas.
Todas sem o tom e completamente fora do ritmo.
Mas quem sabe, neste estranhamento, seja esse o nosso tempo…"

Samuel Strappa


http://jogodequeixo.wordpress.com/?tag=carnaval

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Comentário: A geração dos "sem Madonna"

""Eu nasci assim." A frase não é da canção "Modinha para Gabriela", de Dorival Caymmi, imortalizada na voz de Gal Costa. É apenas o título do novo single de Lady Gaga ("Born this Way"), que acaba de vazar e já causa polêmica por lembrar "Express Yourself", o hit de Madonna de 1989 que conclamava a geração oitentista a aceitar apenas o amor incondicional. Ouça trechos das duas músicas:


A canção de Gaga, podem aguardar, vai ser um hit e não é tão ruim quanto se diz, mas trouxe ao Twitter um conflito de gerações.

Quando tuitei que o novo single de Lady Gaga se chamava "Eu nasci assim: sem criatividade", um jovem seguidor me comoveu com um apelo ao respeito pela nova artista.

Em vários "tweets", ele questionou o seguinte: "Qual o problema em deixar que a minha geração sinta tudo o que Madonna fez vocês sentirem? Será que na época de vocês não tinham pessoas criticando Madonna? Nós não temos o que vocês tiveram. É isso."

A minha crítica não é especificamente a Lady Gaga, mesmo porque, no artigo "Lady Gaga e a Lojinha do Pop", eu festejava a nova diva pop justamente pela maneira criativa como fazia o pastiche dos ícones dos anos 1980 e 1990 em seus dois primeiros álbuns. No entanto, uma coisa se revela após o lançamento do novo single de Gaga e do último disco de Christina Aguilera: falta background a todas essas divas novatas.

Madonna é fruto de uma geração modernista, que criava sentidos para expressar sua insatisfação contra a ideologia dominante, repressora, castradora.

Estudou com a coreógrafa Martha Graham, conviveu com Basquiat e Andy Warhol, tirava notas altas na escola para conseguir dinheiro do pai e sempre usou a sedução feminina de forma a subjugar os homens.

Foi para Nova York vinda do interior, diz a lenda, com US$ 35 no bolso, morou em espeluncas, trabalhou no Dunkin' Donuts, quebrou a cara e adquiriu experiência.

Com base em sua educação católica e em toda a repressão que sofreu no seio familiar, criou sua obra-prima "Like a Prayer". Pela necessidade de entender sua maternidade, criou "Ray of Light"; do medo da velhice e da nostalgia das pistas de dança dos anos 1970 nasceu "Confessions on a Dance Floor". Da necessidade de ser dona de seu desejo sexual como são os homens, criou "Erotica" e "Justify My Love", cujos vídeos primam pela sutileza e pelo sugestionamento sexual.

Não há uma cena de nudez explícita nos dois vídeos, mas não houve menino daqueles anos 1990 que não corrido para o quarto após vê-la simulando masturbação em uma cama de veludo vermelho com os cônicos e icônicos corpetes de Jean-Paul Gaultier. "Eu soube que era gay quando vi 'Justify My Love' pela primeira vez", me disse certa vez um amigo.

Já Lady Gaga, Britney e Aguilera são da geração pós-moderna, carente de sentido, de ideologia e de educação formal. O caminho aberto por Madonna em termos de comportamento feminino e homossexual deixou essa geração sem ter o que contestar. Quando Gaga diz que "nasceu assim", está falando desses jovens frutos do determinismo histórico de Fukuyama: tudo está feito, estamos presos a nós mesmos e nunca seremos sujeitos ativos sobre nada, porque o problema e a solução está sempre no outro.

Enquanto Madonna olhava para as tendências musicais do futuro próximo, as engolia, misturava com suas questões existenciais e as regurgitava em algo aparentemente novo, as novatas do pop parecem fazer o caminho inverso e exatamente por isso são classificadas de plagiadoras.

Se Gaultier traduzia Madonna em corpetes, Lady Gaga traduz as roupas de Alexander McQueen e as bases musicais de Madonna, do Ace of Base e do Depeche Mode em performance e música.

Madonna e Michael Jackson eram os ícones que os outros analisavam, discutiam e tentavam decifrar. Lady Gaga e as outras são exatamente o contrário. Artistas carentes de sentido que buscam nos símbolos criados pelas gerações passadas uma substância para sua performance muitas vezes vazia e desesperada.

Lady Gaga é boa. De todas as que estão aí, aliás, é a melhor. E isso se evidencia quando ela, assim como Madonna, fala daquilo que é sua essência, como em "Beautiful and Dirty Rich", "Poker Face", "Telephone" e "Paparazzi". Mas se continuar olhando para os sintetizadores dos anos 1990, vai cansar logo.

Quanto à carência de um ícone para chamar de seu do meu seguidor, recomendo que não tente sentir o que sentimos com Madonna e Michael Jackson, assim como foi inútil à minha geração tentar sentir o que eram os Beatles e os Stones no auge. Esqueçam as divas que não se esquecem da Madonna, vão a uma balada que toque LCD Soundsystem, Scissor Sisters, Cut Copy, La Roux, Hurts, Adele, MGMT, Gorillaz, Cee Lo Green, Janelle Mónae e sintam a boa música pop de sua geração. "

JAMES CIMINO


FOLHA DE SÃO PAULO

sábado, 8 de janeiro de 2011

Pra começar 2011 bombando! XXXO



É de 2010, mas conheci esta semana! Sem dúvida estaria no  meu Top 10!
Mais uma contribuiçao valiosa dos meus baphônicos CASRJ e LM!!!!
XXXO

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

BasPhoto - Terry Richardson & Tom Ford

Nem gosto de 2 posts num dia só; mas essa foto de Terry  Richardson & Tom Ford para a Vogue francesa de Janeiro/11 merece um 2nd post.. Più Bapho!



http://homotography.blogspot.com/2010/11/terry-richardson-tom-ford-kiss.html

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Arnaldo Jabor faz discurso contra os homofóbicos no Jornal da Globo

"Na noite de quinta-feira (09), o Jornal da Globo apresentou sua habitual sessão com o comentário do cineasta Arnaldo Jabor. Autor de obras-primas do cinema nacional, como as adaptações de Nelson Rodrigues "Toda Nudez Será Castigada" (73) e "O Casamento" (75) e atualmente em cartaz com "A Suprema Felicidade" (2010), Jabor escolheu um tema que está na ponta da língua: a homofobia.

O cineasta disparou, com incrível irreverência, lucidez e senso de realidade, uma saraivada de críticas contra os homofóbicos - sejam eles skinheads, pit boys ou meros playboys. Com suas palavras certeiras, Jabor arrasou com a moral dessa gente.

E foi além: psicologizou e desvendou a razão dos ataques homofóbicos. "Vocês são bossais que atacam nos homossexuais a miséria sexual que vocês têm dentro", disse Jabor. "Solitários, desamados por homens e mulheres, vocês têm inveja da liberdade dos gays, da coragem que tiveram em assumir sua identidade sexual. Porque vocês não têm identidade alguma!", bradou Jabor.

Arnaldo Jabor é mais uma personalidade que tem a coragem e a dignidade de se manifestar contra a barbárie a que temos assistido nas recentes agressões contra gays em todo o Brasil. Além de um grande cineasta e artista relevante, mostra mais uma vez que é também um formador de opinião indispensável. Palmas, Jabor!" 



fonte: http://acapa.virgula.uol.com.br/site/noticia.asp?origem=vejatambem&codigo=12319




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

The 25 Most Powerful Women of the Past Century -


Time Magazine, 11/18/2010




Every pop star of the last two to three decades has Madonna to thank in some part for his or her success. The triple threat who does it all — chart-topping singer, energetic dancer and all-around provocateur — left her home state of Michigan with $35 in her pocket and a dream to make it in New York City, and far exceeded that goal with hit singles like "Vogue," "Like a Virgin" and "Ray of Light." The one-named wonder's memorable music videos and live performances, which almost always include extravagant dance numbers, over-the-top outfits and eyebrow-raising concepts, made her one of MTV's most popular artists. After causing no shortage of controversy with her unabashed sexuality and outspokenness, Madonna has since turned some of her efforts toward being a mother and humanitarian — but not before cementing her place in pop culture as the best-selling female rock artist of the 20th century.



terça-feira, 16 de novembro de 2010

A metralhadora verborrágica de Camille Paglia - Jornal do Comercio(15.11.2010)



A metralhadora verborrágica de Camille Paglia Publicado no Jornal do Comercio em 15.11.2010

A filósofa americana não gosta de ser interrompida por perguntas. Prefere falar sem parar, gesticulando muito, com uma franqueza provocante, mesmo que lhe custe às vezes ficar numa posição solitária

Schneider Carpeggiani
 
“Nem pense em me filmar desse ângulo. Uma mulher da minha idade jamais seria favorecida por um ângulo desses”, esbravejou Camille Paglia para um cinegrafista de TV que teve a pouco estética ideia de filmá-la de baixo para cima, posição que, de fato, não ajuda ninguém – regra da natureza tão óbvia que qualquer não leitor de Freud, Shakespeare ou dos metafísicos pode recitar de cor. Foi bom ter esperado uma hora para entrevistar a professora do Philadelphia College of the Performing Arts, sábado pela manhã, no hotel Atlante Plaza, em que estava hospedada em Boa Viagem. O vazio típico de qualquer chá de cadeira pode se reverter num excelente exercício de observação, se você fizer um mínimo esforço de transcendência. E vê-la conversando com uma equipe televisiva foi um ótimo treino.
De cara, aprendemos que Camille não conversa, dá declarações. Consequentemente, ela sabe falar, mas é péssima ouvinte. Seu fluxo de pensamento non stop descarta qualquer roteiro do entrevistador sem cerimônias e sua notória metralhadora verborrágica é ainda mais veloz ao vivo. Sua origem italiana é ressaltada por um balé de mãos que pontua cada palavra dita de forma dramática. Cria da mídia, acalma o repórter que precisa regravar uma pergunta – “Estou acostumada, não se preocupe”.
Cinco minutos antes do início da nossa conversa, a lição do chá de cadeira se mostrou, de fato, bastante útil: deixar Camille falar e pronto! “Durante muitos anos, fui uma persona non gratta na academia. Meu livro de estreia, Personas sexuais, foi recusado por sete editoras. Os acadêmicos não queriam me escutar, as feministas diziam que eu era a favor da degradação da mulher, porque presto homenagem à pornografia de todas as formas. Eu me acostumei a ser uma voz solitária. Eu voto em Obama, mas critico os democratas. Não faço parte de turminhas ou frequento as rodas literárias”, começou Camille, fazendo uma espécie de cartão de visitas do seu pensamento.
Algumas horas depois veríamos Camille em ação naquele que parece ser o seu lugar favorito no mundo, o palco. Durante sua palestra na Fliporto, ela engoliu uma Márcia Tiburi que fazia cara de menininha perdida (como uma mediadora pode usar argumentos tão débeis quanto: “Eu sei que você gosta de Daniela Mercury, mas acho ela chata”?) e só faltou sambar na nossa frente ao falar de Lady Ga Ga, Madonna, do olhar gay, da matemática emocional do bar lésbico e das várias formas de poder feminino.
“Eu gosto do estilo de talk show, de ouvir as pessoas da classe trabalhadora falando. Eu gosto de ouvir os programas de rádio, para ouvir a voz do povo... Não fico encastelada numa comunidade de intelectuais que não tem contato com o mundo. Na verdade, esse é o problema do universo acadêmico dos Estados Unidos: pouco contato com a realidade”, confessou Camille Paglia, durante nossa entrevista.
A conversa durou por quase 30 minutos. Nesse tempo, só conseguimos interromper o fluxo de sua fala por duas vezes, para duas perguntas que ela só desenvolveu pela metade, afinal ELA e só ELA decide sobre o que vai falar. Apesar disso, a professora é simpática e segundo o repórter de TV que nos antecedeu na entrevista é até “fofa”. O pior é que achamos também! A conversa foi interrompida por seu agente, que tentava sofregamente fazê-la parar porque a hora do almoço urgia. “Acho que você tem um bom material aí do que eu falei para seu artigo”, despediu-se, ciente do (ótimo) arsenal provocativo que havia lançado em nossa direção. Acompanhe, então, um apanhado do nosso monólogo, ops, da nossa conversa.


» O mundo de Camille:



Sarah Palin – “Ela é um novo tipo de feminismo: uma feminista conservadora, que não tem medo dos homens, que não vê problemas em ter uma família”
Madonna – “Madonna está em declínio. Muito disso se deve à sua relação com a Cabala. A Cabala tem uma visão relax em relação à natureza e não tem o potencial visual e artístico do catolicismo. Um artista precisa de um senso de direção e Madonna perdeu isso, porque aceita as leis do universo. Ela pode até estar mais feliz agora, o que eu não acredito muito, porque ela continua uma workaholic”

Religião – “É estúpido achar que os ativistas gays vão mudar a cabeça do papa e que, do nada, ela vai dizer que é a favor do sexo gay ou da promiscuidade sexual. Deixem as religiões em paz, o problema é mudar as leis ”.
Catolicismo – “O catolicismo é ótimo para criar pornógrafos, foram os casos de Madonna e Robert Mapplethorpe”

Aborto – “A mulher tem o direito de fazer o que quiser com seu corpo, porque ele foi um presente da natureza, e eu levo a natureza muito a sério”

Direitos – “O Estado não pode se meter no direito privado do cidadão. Se alguém quiser usar drogas, por exemplo, deveria ter o direito de usar ”

Freud – “Leve a teoria de Freud para o Japão e ela não vai fazer qualquer sentido. Ele é o grande pensador do Ocidente”

Lady Ga Ga – “Lady Ga Ga tem um visual sofisticado, mas é rasa. Ela não tem a sofisticação das drag queens para envergar um vestido”

Gays – “Não é possível entender a homossexualidade apenas pela biologia. Há um sentido de drama em toda história gay que conheço”

Beleza – “Se um garoto bonito entra num bar gay, é ele quem passa a dar as cartas. Pode ter o homem mais rico do mundo ou a maior estrela de Hollywood, que eles perdem importância para o garoto bonito”.

Internet – “Eu me sinto menos solitária por causa da internet, mas tenho medo que ferramentas como Facebook e Twitter prejudiquem nosso senso de continuidade. Tudo é muito fragmentado. Será que essa geração que escreve no Twitter vai se interessar em ler um Thomas Mann?”


Fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2010/11/15/not_400640.php